- Somos livres porque não estamos determinados ou estamos determinados porque não somos livres?
Durante este ensaio, irei analisar a seguinte questão filosófica: “Será que o ser humano é livre?”. Esta questão revela-se pertinente, pois conduz à reflexão sobre temas como o autodomínio, a ação humana, o poder de escolha e a distinção entre atos livres e não livres. A pergunta “será que o ser humano é livre?” dá origem a três teses fundamentais no âmbito da Filosofia: o determinismo radical, o libertismo e o determinismo moderado. Podemos identificar a posição de Thomas Nagel, que defende o determinismo radical. O autor afirma que “de acordo com essas leis, as circunstâncias anteriores a uma ação determinam que ela irá acontecer e eliminam qualquer outra possibilidade”. Esta tese sustenta que o ser humano é o resultado de uma cadeia causal anterior, isto é, as suas ações são determinadas por um conjunto de fatores ou condicionantes. Estas condicionantes podem ser de natureza física e biológica — inatas e herdadas através do ADN — correspondendo a fatores intrínsecos. Por outro lado, existem também condicionantes históricas e culturais, como o país de origem, a língua ou o regime político, que constituem fatores extrínsecos. Assim, no determinismo radical, o livre-arbítrio não é aceite, sendo esta uma posição incompatibilista que rejeita o libertismo. Consequentemente, se todas as ações são determinadas, o ser humano não pode ser responsabilizado pelos seus atos, uma vez que estes resultam inevitavelmente de acontecimentos anteriores. O autor fundamenta esta perspetiva nas leis da natureza, afirmando que estas regem tudo o que acontece no mundo, incluindo o comportamento humano. Um exemplo frequentemente associado a esta perspetiva é o caso de Nathan Leopold e Richard Loeb, dois estudantes universitários que cometeram um homicídio. No julgamento, o advogado, defensor do determinismo radical, argumentou que os jovens não deveriam ser responsabilizados, uma vez que o seu comportamento foi condicionado por fatores da sua infância, nomeadamente negligência parental. Contudo, esta tese enfrenta diversas objeções. Ao negar o livre-arbítrio, elimina-se também a possibilidade de responsabilidade moral. Os defensores do libertismo argumentam que o facto de, em determinadas situações, não exercermos o autodomínio não significa que sejamos sempre incapazes de agir livremente. Além disso, pode sustentar-se que as leis da natureza não permitem uma previsão absolutamente determinista do futuro, como sugere a Física Quântica, que trabalha com probabilidades e não com certezas. Perante estas objeções, um defensor do determinismo radical responderia que a liberdade é meramente ilusória: embora tenhamos a sensação de escolher, estamos sempre condicionados por causas anteriores. Na minha perspetiva, considero que o determinismo moderado é a posição mais plausível. Esta tese compatibiliza o determinismo com a liberdade, defendendo que, embora sejamos condicionados por fatores intrínsecos e extrínsecos, mantemos sempre a possibilidade de escolher entre diferentes alternativas porque somos seres racionais. Por exemplo, um indivíduo que ambicione ser piloto, mas que seja míope, poderá não conseguir exercer a profissão; ainda assim, mantém a possibilidade de optar por outras alternativas, como por exemplo, tornar-se mecânico de aviões ou seguir uma área semelhante. Conclui-se, assim, que o determinismo moderado, enquanto posição compatibilista, permite afirmar simultaneamente a existência de condicionantes e de livre-arbítrio, oferecendo uma resposta equilibrada/conciliatória à questão da liberdade humana.
Beatriz Oliveira, 10º E


O texto apresenta uma análise clara e bem estruturada das diferentes posições filosóficas sobre a liberdade humana, destacando de forma equilibrada os argumentos e objeções. A conclusão revela uma boa capacidade crítica ao defender o determinismo moderado como solução conciliadora.
ResponderEliminarMaria Soares 10°E
O determinismo moderado defende que somos condicionados, mas ainda assim livres nas nossas escolhas. É conciliador porque aceita as condicionantes sem negar a liberdade.
ResponderEliminarMaria Soares 10°E
Deste modo, a reflexão sobre a liberdade humana revela-se não apenas teórica, mas essencial para compreender a responsabilidade e a dignidade da ação humana.
ResponderEliminarNeste contexto, o determinismo moderado assume particular relevância, ao permitir uma conciliação entre a existência de condicionantes e a possibilidade de escolha racional. Esta perspetiva possibilita uma compreensão mais equilibrada da ação humana, reconhecendo simultaneamente os limites impostos ao indivíduo e a sua capacidade de deliberar e agir de acordo com razões. Deste modo, torna-se possível sustentar uma noção de responsabilidade moral mais ajustada à complexidade da condição humana.
ResponderEliminarPor fim, importa salientar que a questão da liberdade humana permanece em aberto e continua a ser objeto de debate filosófico. Os avanços em áreas como a neurociência e a psicologia têm vindo a introduzir novos elementos nesta discussão, ao evidenciarem a influência de processos cerebrais nas decisões. Ainda assim, a experiência subjetiva de liberdade e a consciência de escolha mantêm-se como aspetos fundamentais da existência humana, o que reforça a pertinência e atualidade deste problema filosófico.