Ensaio filosófico: confronto entre Kant e Mill
António tinha como objetivo enriquecer
o seu currículo e ficou a saber que a prática do voluntariado era muito
valorizada nas entrevistas de emprego. Por isso, contactou o Hospital de São
João e foi admitido durante um ano. Graças ao voluntariado que realizou em
articulação com a Associação ACREDITAR, (Associação de pais de crianças e jovens que
têm ou tiveram cancro) o António tornou-se popular e enriqueceu o seu
currículo.
Neste
ensaio filosófico irei abordar se a ação do António é moral ou não, primeiro
coloca-se uma questão importante para este tema: “Será que a moralidade de uma
ação reside na intenção de cumprir o dever ou nos resultados que ela produz?”.
Para responder a esta questão começamos por dizer quais são as éticas que podem
responder a este problema. Existem duas éticas: a ética deontológica, de Kant,
que é racional, de natureza deontológica. É racional porque é na razão que se
fundamenta a lei moral, é deontológica porque a moralidade da ação é
determinada em função do dever. Na ética deontológica o critério da moralidade
está na intenção. A ética teleológica, de Mill estuda os fins, isto é o
propósito, fim ou finalidade da ação porque Mill valoriza as consequências.
Kant diz que devemos cumprir o dever, a intenção é o que importa e esta deve ser pura, de boa vontade. Kant defende o imperativo categórico, uma ordem absoluta, lei moral, incondicional, universal, formal, racional, necessária, a priori, feita por dever. Há três tipos de ações: ações contrárias ao dever como roubar ou mentir são ações ilegais, morais e violam os direitos humanos, ações conforme o dever seguem o imperativo hipotético “Se fizeres X terás Z”, são ações legais mas sem conteúdo moral e ações feitas por dever, seguem o imperativo categórico “Faz X sem mais”, estas são as verdadeiras ações morais. Na situação do António, ele tinha como interesse enriquecer o seu currículo, e soube que praticar o voluntariado era muito valorizado nas entrevistas de emprego, contactou o hospital de São João e foi admitido. Graças ao voluntariado o António tornou-se popular e conseguiu enriquecer o seu currículo. Para Kant, esta ação é uma ação conforme o dever, pois o António não tinha uma intenção pura, tinha interesse em enriquecer o seu currículo. Por sua vez Mill considera a ação com conteúdo moral pois a ação cumpriu os pilares da ética utilitarista. Mill critica a ética de Kant porque é formal, rígida e racional, não valoriza as consequências da ação, não apela às emoções e sentimentos e não resolve dilemas. Contudo, Kant diz que a ética de Mill sacrifica a minoria em nome da maioria, viola os direitos humanos e o princípio da imparcialidade é questionado pelo hedonismo qualitativo, pois o hedonismo diz que há prazeres superiores e inferiores.
Na minha opinião, concordo com Kant, pois o António não tinha uma intenção pura, tinha um interesse ou inclinação egoísta e muito particular que era enriquecer o seu currículo, pensou em si próprio.
Beatriz Granja Pereira, nº6, 10ºA

Enquanto Kant nos oferece um sistema rígido de princípios absolutos que protege a dignidade individual contra qualquer cálculo social, Mill entrega uma ferramenta flexível e realista para a tomada de decisões no mundo real, onde muitas vezes somos forçados a escolher o menor dos males.
ResponderEliminarDado isto, concordo com a perspetiva de Kant , visto que o António não teve qualquer intenção maliciosa.