Ensaio filosófico - Será que Deus existe?

 


 O problema da existência de Deus torna-se pertinente porque nos permite refletir sobre o sentido da vida. Neste texto o questionamento é evidente e reporta-se à explicação que poderemos dar sobre o propósito ou significado que as coisas têm. “Porque outra razão teriam as nossas pernas e braços três juntas, bem como os dedos, senão por ser melhor do que ter duas ou quatro? E porque serão os nossos dentes incisivos aguçados como cinzéis de corte mas os nossos dentes interiores largos para triturar, e não o contrário? Se olharmos mais atentamente vemos que tudo está bem ordenado e organizado e a questão emerge: Não será esta organização um sinal da existência de um Deus perfeito, produto de um desígnio inteligente? Este problema é pertinente  porque permite questionar e analisar as origens do nosso mundo e perceber a influência divina nas nossas vidas. Nesta reflexão vou apresentar o argumento a posteriori de W. Palley e uma possível objeção. Seguidamente, apresentarei uma resposta a essa objeção.)

 Paley apresenta-nos um argumento teleológico,  a posteriori partindo da observação direta do mundo e faz uma analogia entre o universo e a máquina/relógio, sustentando que se as máquinas são o produto de um desígnio inteligente (o relojoeiro) e se o universo se assemelha a uma máquina então também ele foi produzido por um desígnio inteligente que, neste caso é Deus porque “a razão é nada ser feito tolamente ou em vão; isto é, há uma providência divina que ordena todas as coisas.” O universo parece um todo em que tudo encaixa com um propósito e harmonia estando afinado de maneira tão minuciosa que não pode ser obra do simples acaso.

Os criticos falam de uma fraca analogia, ao comparar coisas ou objetos naturais e objetos artificiais, entre os quais as semelhanças são vagas e as diferenças são relevantes. Este argumento perde força quando confrontado com as conclusões da teoria evolucionista que, ao mostrar que a variedade e a complexidade dos seres vivos resultam da seleção natural e da sobrevivência dos mais aptos (os quais, por sua vez, irão transmitir os seus genes às gerações seguintes), fornece uma explicação alternativa. O argumento teleológico, ainda que possa demonstrar a existência de um criador, não prova que ele seja único, que se trata de um arquiteto omnipotente ou que seja omnisciente e infinitamente bom, características específicas do Deus teísta. Hume critica o argumento porque ele não prova a finalidade do criador uma vez que muitas coisas foram criadas sem finalidade tal como o cordão umbilical.

Os defensores de Paley contra-argumentam com a teoria do ajuste perfeito e afirmam que o BIG-BANG e a teoria evolucionista até podem ser ideias verdadeiras, mas foi Deus quem criou as condições exatas e com precisão para que estes fenómenos ocorressem, foi ele que projetou de forma inteligente todas as condições para a criação do universo, rejeitando a teoria do acaso.

Em suma, este argumento defende bem a influência e a intervenção de Deus no mundo que nos rodeia e pode aplicar-se à vida de toda a gente. Na minha opinião Deus existe e essa crença vem do facto do nosso mundo ser demasiado perfeito para ser obra do acaso, Deus teve definitivamente um papel na criação disto tudo.

                                                                                            Leonardo, Nº13 - 11ºE

 


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